CRIANÇA AUTISTA – por Tatiana Takeda

Assessoria de Turismo
CRIANÇA AUTISTA – por Tatiana Takeda

Sobre a criança autista.

Quem já recebeu o diagnóstico de autismo de um filho sabe que é um momento onde a família realmente perde o chão. O desconhecido e a ansiedade podem desestabilizar os pais a respeito do futuro da criança ou do bebê autista.

Conversamos com Tatiana Takeda que é advogada militante junto aos direitos das pessoas com deficiência, blogger e mãe do Theo Luiz, que é autista. Confira:

Fale um pouco sobre você.

Meu nome é Tatiana Takeda, mãe do Theo Luiz. Até o nascimento do Theo, hoje com 5 anos, minha luta era em prol do meio ambiente (sempre escrevia para jornais e revistas, além de produzir artigos científicos com certa frequência).

No entanto, com o nascimento de uma criança diferente, com características peculiares, que logo confirmou-se ser decorrentes do autismo, passei a militar na área da pessoa com deficiência. Percebi que as famílias eram carentes de informação relativa aos Direitos.

Assim, passei a escrever sobre isso e meus textos acabaram por viralizar nas redes sociais.

Daí em diante, entendi que eu tinha uma missão: levar informação acerca dos direitos das pessoas com deficiência a um público desprovido de informação e orientação jurídica.

Hoje, além do blog junto à Plataforma Ludovica (Grupo ligado à Rede Globo), tenho uma página sobre autismo no facebook (Autismo, Direitos e Inclusão – Por Tatiana Takeda). Ademais, faço palestras em todo o Brasil, na busca por menos preconceito e discriminação das pessoas com deficiência.

Nos últimos tempos tenho me dedicado mais ao tema “inclusão escolar da pessoa com deficiência”.

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Como foi a descoberta do autismo do seu filho?

Na verdade, minha saga antes do diagnóstico foi mais dolorosa.

Desde quando meu pequeno nasceu eu notava características atípicas em seu comportamento: não queria mamar em mim, não olhava na minha direção, não gostava de colo… o que me deixava angustiada e me levava a indagar ao pediatra sobre aquelas atitudes diferentes das de outros bebês que eu convivia.

Na consulta de 6 meses, o pediatra me disse que deveríamos investigar autismo.

A partir daí comecei a estudar e após vários profissionais atenderem o pequeno, consegui o diagnóstico quando ele tinha 1 ano e 6 meses.

No dia em que recebi o laudo da equipe multidisciplinar fiquei muito triste, mas também aliviada por saber, de fato, o que se passava com meu filho.

Em razão daquela busca sem resposta, naquela altura, o que eu queria mesmo era a certeza do que se tratava para poder agir da forma apropriada, para poder tratar meu filho de maneira adequada.

No dia seguinte ao diagnóstico do meu filho ser autista, fui procurar escola e tratamentos.

Sua gestação foi tranquila? 

Minha gestação foi normal e meu parto foi cesariana. Não houveram intercorrências e ele nasceu sadio às 39 semanas e 5 dias.

Como é seu dia-a-dia e quais cuidados são necessários?

Minha rotina é a típica da mulher moderna: uma correria das 6h às 00h (risos).

Em um primeiro momento, diminuí minha rotina de trabalho. Era uma workaholic.

Passei a frear a vida profissional. Trabalho de manhã em um Órgão Público e levo o Theo Luiz para os tratamentos na parte da tarde.

Em algumas noites da semana dou aula no Curso de Direito da PUC Goiás. Também escrevo para a Revista Ludovica (Blog Viva a Diferença), administro uma nova página sobre autismo no facebook, que já tem quase 40 mil seguidores e sou Coordenadora da Subcomissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Autismo da OAB/GO.

Tento conciliar minhas atividades com o tempo em que o Theo está na terapia e, em casa, quando a bebê Ana Teresa (minha caçula de 2 anos) está dormindo.

Os cuidados com o Theo são os mesmos que outra criança requer, acrescido o fato de que devemos observar seu comportamento de modo a auxiliar sua rotina de aprendizado e desenvolvimento.

É importante estarmos sempre alertas aos comportamentos-problemas, típicos do autista, para detectar os antecedentes e criar, junto com a equipe terapêutica, as estratégias de combate àquele comportamento indesejado. Ou seja, o papel da família é dar muita atenção e amor.

As terapias são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, comunicativo e funcional.

Por isso, ele tem psicóloga, acompanhante terapêutica, fonoaudióloga, terapeuta ocupacional e equoterapeuta.

Todos habilitados em suas respectivas áreas de graduação e com especializações nas áreas necessárias ao tratamento de pessoas com autismo.

Como é feita a escolha dos terapeutas?

Cada autista é de um jeito. Eles são muito parecidos, mas cada um com suas peculiaridades. No entanto, o tratamento costuma ser o mesmo.

Com vistas ao cognitivo, comunicação e funcional. Quando você vai escolher os terapeutas, em minha opinião, o mais importante e contar com o conhecimento comprovado.

É imprescindível que os terapeutas sejam graduados dentro da sua atuação e tenham pós-graduações que venham de encontro ao autismo, bem como sejam experientes com o trato deste público ímpar.

Por exemplo: Psicóloga com especialização em ABA (Análise do Comportamento Aplicada), Fonoaudióloga com especialização em Autismo, Terapeuta Ocupacional com especialização em Integração Sensorial…

Demais disso, é importante que a família esteja alerta aos “charlatões”, pessoas que prometem “curas” e “desenvolvimentos fora do normal”.

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Quais barreiras você tem encontrado no dia-a-dia?

Preconceito e Discriminação. Recebo dezenas de mensagens por dia em que me são relatadas histórias muito tristes.

Quase todas fruto de preconceito e discriminação em relação à pessoa com deficiência. A maioria das histórias acontecem nas escolas.

Procuro orientar essas famílias oriundas de outros Estados e até mesmo de outros países a como agir diante dos constrangimentos.

Fale sobre a maternidade, sob a ótica de uma mãe de criança autista. 

É uma rotina de muita dedicação e que exige persistência e amor. Todas as conquistas vêm no seu tempo.

O importante é não comparar o filho com outras crianças da mesma idade. Cada um tem seu tempo e todos aprendem de acordo com seus interesses, basta ensinar da maneira correta.

Ser mãe de uma criança ou adolescente autista é ter a oportunidade de evoluir e tornar-se uma pessoa mais solidária, paciente e grata por cada passo que aos olhos da maioria pode parecer muito pequeno, mas que para o genitor é uma conquista digna de muitas lágrimas e comemorações.

Deixe uma mensagem para os pais e mães que receberam o diagnóstico de deficiência em seus filhos. 

O luto acerca do diagnóstico é legítimo. No entanto, não pode durar o suficiente a prejudicar o desenvolvimento da pessoa autista.

Quanto mais cedo a família “aceitar” a condição do filho e começar a tratá-lo, mais chances dele vir a se tornar um adulto com mais independência e autonomia.

Portanto, as lágrimas são necessárias, trata-se de uma forma de desabafo consigo mesmo, mas não chore por muito tempo, pois esse bebê, criança ou adolescente depende de você!

 

É muito bom falar com quem entende do assunto e é gente como a gente, não é mesmo? Para conhecer mais sobre o trabalho da Tatiana Takeda, segue os canais:  facebook e website.

 


Andreia Cartolari é casada e tem dois meninos. Fundadora da Adapte! Turismo, mudou muitas coisas em sua vida nos últimos tempos em busca de uma vida com simplicidade e muito mais significado.

3 Comments

  • Sandra Borges on 28 de dezembro de 2016 16:52 Responder

    Trabalho com crianças com necessidades específicas, faço atendimento de integração sensorial pedagógico. Cade autista tem seu jeitinho e sua maneira de ser, agir e se comunicar. Procuro sempre está lendo a respeito das crianças com TEA , além de outras síndromes também.

  • FERNANDO COTTA on 28 de dezembro de 2016 20:12 Responder

    Excelente entrevista de quem tem o cotidiano voltado para a luta pelos direitos das pessoas com autismo e com deficiência de um modo geral.

    Parabéns Dra TATIANA TAKEDA.

    • Andrei Cartolari Palão on 29 de dezembro de 2016 23:25 Responder

      oi Fernando, ela tem um trabalho incrível, não é? Adoramos o bate papo!

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