Além do Autismo – por Roberta Caminha

Assessoria de Turismo
Além do Autismo – por Roberta Caminha

2 de abril é o Dia Mundial de Conscientização do Autismo e com o tema tão em evidência, conversamos com Roberta Caminha que é psicóloga e fundadora da página e do canal Além do Autismo. Confira: 

Fale um pouco sobre você.

É difícil falarmos de nós mesmos, sempre tenho dificuldade com esse tipo de pergunta, pois a tendência é me definir como psicóloga ou mãe, mas sinceramente acredito que sou muito mais que estes “títulos” (risos).

Enfim, sou mãe da Fernanda de 5 anos e da Rafaela de 1 ano e 8 meses, sou apaixonada pela minha família, por passar momentos com elas e meu marido.

Hoje tenho certeza de que sou plenamente feliz ao lado deles.

Como profissional me sinto extremamente realizada, sou psicóloga, formada pela PUC-Rio e trabalhei em algumas áreas da psicologia.

Quando ainda estava na graduação me matriculei em uma matéria eletiva que tratava sobre autismo, (por acaso ou não, era a única que se encaixava no meu horário) e através disto uma luz despertou dentro de mim, fiz mestrado e doutorado na área e continuo estudando até hoje.

O autismo sempre foi para mim um desafio intelectual muito grande e quanto mais estudo e trabalho com as famílias, mais vou desvendando suas várias facetas.

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Nos últimos anos houve um aumento considerável de diagnóstico de autismo no Brasil.  A que você atribui isso?

Este aumento possivelmente não é absoluto, ou seja, provavelmente não estão nascendo mais autistas (embora algumas pesquisas apontem os fatores ambientais, como a poluição por exemplo, causadores desse aumento).

O que ocorreu na verdade foi uma mudança, ou ampliação nos critérios de diagnóstico.

Hoje fala-se em “Transtorno do Espectro Autista”, que engloba do caso mais brando, até o caso mais severo.

Dessa forma, um autista que apresenta um grau mais leve e que talvez nem recebesse um diagnóstico em outros tempos, hoje recebe o diagnóstico de TEA.

Atualmente as pessoas estão muito mais conscientes e atentas para o autismo, ele já não está mais tão associado àquela imagem do autista clássico como o “Rain Man” (personagem eternizado pelo ator Dustin Hoffman, no filme de mesmo nome).

Ainda é preciso uma maior conscientização, principalmente para as pessoas da área de saúde e educação que lidam com o público infanto-juvenil.

Quanto mais cedo os sinais de risco forem identificados, (neste caso entre a faixa 1 ano a 1 ano e meio de idade) melhor pode ser o prognóstico da criança.

 

O que te levou a empreender nesta área?

Na licença maternidade de minha caçula eu estava super conectada comigo mesma e foi um período de muita criatividade para mim.

Comecei a colocar no papel várias ideias e decidi me colocar em movimento pra poder materializa-las.

A minha motivação maior partiu de uma angústia, sempre me inquietou muito o fato de eu ter muito conhecimento, anos de experiência e não poder passar isso pra muita gente, somente era possível para as pessoas próximas geograficamente.

Neste momento da licença me deparei com um congresso online e tive um “estalo”, onde vislumbrei que talvez essa fosse uma forma (online) de passar o conhecimento pra quem está longe.

Esse evento acabou me levando para um curso online de empreendedorismo digital para mães, e a partir daí resolvi criar um canal e uma página para propagar conhecimento.

Também idealizei e produzi, com a ajuda de duas amigas terapeutas (Adriana Fernandes e Helena Gueiros), um evento online de autismo chamado “Circuito Online de Palestras sobre o Autismo – CONPSAU”.

Foi uma experiência fantástica!

Tivemos um feedback maravilhoso das pessoas sobre as palestras e do evento de modo geral.

Me sinto muito realizada com esse canal de troca digital com as pessoas, recebo mensagens diárias dizendo que os vídeos têm sido importantes e ajudado nas relações com seus filhos.

Uma mãe uma vez me escreveu dizendo que voltou a sorrir com seu filho, algo que não acontecia há tempos, fico muito emocionada em saber que estou fazendo a diferença no mundo.

Tenho outros projetos digitais que ainda estão em fase de elaboração, mas a ideia é continuar a propagar e disseminar conhecimento!

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Fale um pouco sobre o Além do Autismo.

O nome “Além do Autismo” possui alguns significados, embora meu foco principal de trabalho seja o autismo.

Minha ideia era a de produzir conteúdo sobre assuntos relacionados direta ou indiretamente ao assunto, como desenvolvimento infantil de modo geral, autoconhecimento, maternidade, entre outras coisas.

Além disso, na minha prática procuro ter um olhar para o sujeito, para o ser humano que está ali, ao invés de rotular e limitar a pessoa através de um diagnóstico.

Minha bandeira, digamos assim, é olhar estas pessoas além do autismo, além de um diagnostico.

Quero que as crianças sejam mais respeitadas e sobretudo que tenham voz ativa, quero que as relações sejam mais saudáveis, confiáveis, quero que as famílias voltem a ter prazer nas relações!

Fazendo referencia a minha querida parceira Adriana Fernandes da página Afetoterapia, quero que o afeto volte a fazer parte do cotidiano das famílias!

 

Deixe uma mensagem para os pais e mães que receberam o diagnóstico de deficiência em seus filhos. 

Enxerguem seus filhos além de um diagnóstico!

Um diagnóstico muitas vezes limita nossas expectativas com relação à criança e estas expectativas limitadas, muitas vezes limitam mais as crianças do que suas próprias limitações.

Ficou confuso né?

Em resumo, “Uma limitação não pode ser um limite” esta frase é do Paulo Freire e gosto muito dela, pois expressa exatamente este conceito de superação.

Vamos dar oportunidades as crianças!

Se elas não estão aprendendo, vamos mudar nossa forma de ensinar, vamos deixar elas nos mostrarem o caminho!

Outra coisa que falo sempre para os pais, é para que se lembrem de colocar a máscara de oxigênio primeiro neles, ninguém pode cuidar do outro sem estar bem.

Um processo de autoconhecimento é fundamental, toda criança está mergulhada em um contexto, assim como uma semente, precisa de um solo bom para germinar.

Por fim, peço aos pais que escutem seu coração, que sigam sua intuição, pode parecer bobagem!

Mas muitas vezes deixamos de escutar o coração e fazer aquilo que faz sentido para nós, porque uma determinada pessoa falou que fazer “assim ou assado” é melhor para a criança.

Vocês pais conhecem seus filhos melhor do que qualquer profissional.

 

É muito bom falar com quem entende do assunto e é gente como a gente, não é mesmo? Para conhecer mais sobre o trabalho da Roberta, segue os canais:

FACEBOOK – https://www.facebook.com/alemdoautismo

YOUTUBE – https://www.youtube.com/channel/UCbml5WY4FPMBk6_MsnBf8Aw/featured

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Andreia Cartolari é casada e tem dois meninos. Fundadora da Adapte! Turismo, mudou muitas coisas em sua vida nos últimos tempos em busca de uma vida com simplicidade e muito mais significado.

2 Comentários

  • Tatiana Andriewiski on 3 de abril de 2017 01:28 Responder

    Beta te conheço a tanto tempo e lhe admiro desde sempre ! Muitos beijos Tati

    • Andrei Cartolari Palão on 19 de abril de 2017 01:06 Responder

      Ela é fofíssima, não é?

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