Inclusão Alimentar e o Dia das Mães

Assessoria de Turismo
Inclusão Alimentar e o Dia das Mães

Quando se precisa de inclusão alimentar…

Todo ano na escola das crianças tem homenagem no dia das mães. É sem dúvida, um momento de muita emoção.

Ver nossos pequenos fazendo algo do seu jeitinho, mexe com o coração de qualquer mãe. Amo ao infinito e além!

Recebemos um convite lindo dizendo o dia e hora do evento que seria feito na escola.

inclusão alimentar

Era um lindo cupcake feito de papelão com muito capricho pelas crianças e as professoras.

Porém, ao contrário de todas as outras mães da sala, minha animação deu lugar à preocupação.

Fui informada que teria um momento de culinária mãe e filho e na hora me passou  um gelo pelas costas. Comer fora de casa com criança que tem NECESSIDADES ALIMENTARES ESPECIAIS é sempre coisa tensa!

São tantos detalhes que preciso me preocupar e muitas pessoas se sentem desconfortáveis com o “relatório de perguntas” que faço sobre a comida e o preparo. Muitas vezes prefiro dizer que não vamos por conta da alergia… e seguimos.

Poxa, mas era a homenagem do dia das mães! Como participar de tudo isso e proporcionar a inclusão alimentar do meu pequeno alérgico?

Durante a semana, na hora que fui buscá-lo, a professora comentou que já estavam procurando aquelas massas semi prontas e que me enviariam o rótulo antes, para ler e confirmar se estava ok, que todo o cuidado seria tomado para que o bolinho do Henrico fosse “limpo” e ele pudesse participar da atividade sem ter problemas com reação.

O recheio, elas pensaram de fazer derretendo chocolate em barra sem lactose de uma marca conhecida, que tinha dado bastante trabalho pesquisando mas que tinham encontrado. Comentei que eles compartilham maquinário e por isso não daria pra usar o tal chocolate. Ela me olhou pasma e disse: “Meu Deus, como você consegue fazer? É muito difícil de achar!”

Eu sorri e disse que era assim mesmo mas que a gente vai adaptando aqui e ali.

Falei que poderia trazer de casa, se necessário. Conversamos sobre possibilidades e adaptações e fui embora. Inclusão alimentar é uma palavra bonita mas dá trabalho!

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Confesso que nos dias seguintes me pegava pensando em como seria essa homenagem, se realmente conseguiríamos fazer e a aflição me rondava constantemente.

Eita bichinho incômodo é esse chamado aflição, angústia, preocupação, neurose… que está proporcionalmente ligado ao grau de sensibilidade de cada criança ao alérgeno.

ALERGIA ALIMENTAR tira sono de mãe, tira a tranquilidade… e por vezes, quer tirar a esperança também!

É uma luta diária se manter em pé, acreditando que passaremos bem por aquele dia. Amanhã é outro dia!

A gente começa a viver um dia por vez!

Chegar ao fim do dia sem reação = tarefa executada com sucesso!

Mas nem sempre é assim. Se a escola te liga, por alguns instantes você prende a respiração, imaginando O QUE aconteceu, COMO aconteceu e O ESTADO em que seu filho está. E você apenas tinha ouvido alguém dizer: “oi mãe, é da creche”.

Alergia alimentar é bicho malvado! Quer nos fazer sentir as piores mães do mundo por algo que aconteceu ao nosso filhote, mesmo quando não estamos diretamente envolvidas na situação.

É comum da maternidade sentir culpa? Pergunte a mãe de um alérgico alimentar o real significado disso. Elas sentem isso na pele todos os dias… e se deixar, ela nos derruba.

Convivendo com alergia alimentar, se aprende a dar valor a cada dia, seja de vitória ou de aprendizado.

Seja com sorrisos (de felicidade por achar um produto que procurava há tempos no supermercado, por exemplo) ou entre lágrimas (de ver seu filho chorando que quer comer algo que não pode).

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Mãe de alérgico é gente especial, é mulher que conhece o sentido da palavra RESILIÊNCIA!

Voltando à homenagem, as professoras acharam por bem que eu levasse as coisas de casa para evitar qualquer tipo de contaminação cruzada. Concordei na hora porque a gente vive de tentar eliminar riscos e possibilidades de reação.
Mãe de alérgico é acostuma a carregar mala… e se vai ter oportunidade de ter inclusão alimentar, a gente leva com gosto!

Chegou o grande dia!

Eu numa correria doida durante o dia fazendo as coisas pra levar:

  • Brownie SEM ALERGIA – OK
  • Calda de leite de inhame com chocolate do padre – OK
  • Granulado e confeito limpo – OK

Me arrumei e fui à escola pra ver meu gordinho. Coração acelerado!

Depois de algumas breves palavras da diretora e um vídeo super fofo, as mães foram levadas ao refeitório.

Cheguei e ele veio todo sorridente me abraçando como sempre faz na saída: “mamãe!”

Lá estavam todas as mães com seus fofuchos e fofuchas mais as professoras.

A tarefa era simples: mãe e filho iriam fazer a decoração da cobertura do cupcake e depois poderiam se deliciar juntinhos.

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Henrico estava todo feliz! Decorou seu bolinho com muito confeito e com muita calda… Digno de um pequeno masterchef (risos).

Se sujou todo e deu muita risada com granulado no nariz.

A INCLUSÃO ALIMENTAR havia acontecido!

Ver a cara de satisfação dele toda suja, aproveitando aquele momento de forma segura, não tem preço!

Chorei, claro! Que mãe não chora nesta hora?

Mas meu choro era diferente, não era apenas um choro de emoção pela homenagem…. tinha algo a mais. Era choro de perceber que com empatia e boa vontade é possível fazer com que crianças que já tem uma vida tão restrita por conta da sua condição, tenham um “dia normal” como os outros.

Choro de gratidão pela sensibilidade como as professoras e a creche trataram do tema, de forma que ele pudesse participar de tudo. Choro de saber que é possível fazer inclusão alimentar quando tem quem se importa e não apenas entende, como respeita, cuida e inclui. 

Comemos e nos lambuzamos! E que sabor tem a felicidade da INCLUSÃO!

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Talvez ele e seus amiguinhos nem tenham se dado conta do que houve naquele dia.

Mas o importante é que todos tiveram a oportunidade de conviver com o diferente e aprender a respeitar a condição de cada um, desde pequenos.

Isso fará de cada um pessoas mais tolerantes, no futuro. E se Deus quiser, um mundo melhor eles terão.

Voltamos pra casa. Ele, todo sujo e sorridente e eu, com o coração transbordante de alegria e gratidão! E assim, foi mais que especial meu Dia das Mães na escolinha.

 

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Andreia Cartolari é casada e tem dois meninos. Fundadora da Adapte! Turismo, mudou muitas coisas em sua vida nos últimos tempos em busca de uma vida com simplicidade e muito mais significado.

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